sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Só lembrando: juiz não é deus...




Ela se chama Luciana Tamburini. O nome dele é João Carlos de Sousa Correa. Ela é agente de trânsito. Ele é juiz.


Os dois ganharam notoriedade nos principais jornais e TVs do País e nas redes sociais nesta última semana. Ela por ter lhe dito uma obviedade: que ele era juiz, mas não era deus e, portanto, ao dirigir sem documentos do carro e sem habilitação, não estava imune à lei.



(Agente de trânsito)
Ele lhe deu voz de prisão e fez uma representação interna no Detran-RJ por conta do fato. Ela chegou a ser levada para a delegacia. Daí ela o processou. Só que ele é que ganhou a ação e Luciana foi condenada a pagar 5 mil reais.



O fato é inédito, mas soa familiar. Quem não sabe de algum caso em que algum membro do judiciário utilizou a famosa “carteirada”? Há inclusive um dito popular que diz que “alguns juízes acham que são deus; outro têm certeza”. Quando surpreendidas com envolvimento em ilícito, pessoas comuns costumam ir para a cadeia. Juízes geralmente são “penalizados” com aposentadoria compulsória e salário integral.


Sem cometer generalizações, o abuso de poder de alguns que ocupam posições de poder no setor público não é novidade. Mas a forma como esta situação foi tratada fora do Tribunal, onde Correa não está cercado de influência e de amigos, é sim. No mesmo dia em que Luciana tomou conhecimento da sentença e afirmou não poder pagar o valor, maior que seu salário mensal, internautas de todo o País iniciaram campanha virtual de mobilização de recursos chamada “divina vaquinha” que em poucos dias superou a meta de 5 mil reais em 200%.


TVs e jornais revelaram outras situações em que o magistrado agiu de maneira similar, outros abusos de poder, investigações no CNJ e as redes sociais disseminaram tais informações massivamente.


Além de não ser deus, o magistrado provavelmente descobriu que num mundo interconectado e com uma sociedade que vai aos poucos se tornando cada vez mais consciente e vigilante, vai ser cada vez mais difícil dar “carteirada”. Melhor mesmo é levar consigo a carteira. De habilitação.


Ps: A outra “boa da semana” foi o pedido de desculpas de Diogo Mainardi, jornalista da Globo News, que ofendeu e incitou ódio a nortistas e nordestinos. Com a repercussão negativa do seu comentário infeliz, Mainardi teve que pedir desculpas e disse que não teve a intenção. Teve sim. E além de 90 denúncias contabilizadas pela OAB, o apresentador foi denunciado por parlamentares ao Ministério Público.


Do Cidadania
via sertaonamidia.com.br
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